Durante minha gestão na Funarte, procurei defender que uma política cultural verdadeiramente nacional precisa alcançar todas as regiões do Brasil. A riqueza artística brasileira não está concentrada apenas nos grandes centros urbanos. Ela se manifesta em cidades de diferentes portes, em comunidades tradicionais, em grupos independentes e em iniciativas que muitas vezes permanecem distantes das políticas públicas.
Por essa razão, a descentralização tornou-se um dos eixos estratégicos do Programa Funarte 45 Anos. A proposta consistia em ampliar a presença institucional da Fundação, fortalecer parcerias regionais e criar condições para que artistas, produtores e públicos de diferentes estados tivessem maior acesso às ações culturais.
A interiorização das atividades representa muito mais do que levar espetáculos a novos locais. Ela significa estimular a formação artística, incentivar a circulação de profissionais, promover intercâmbios culturais e fortalecer economias criativas locais. Cada município possui características próprias, tradições, patrimônios e formas de expressão que merecem reconhecimento e oportunidades de desenvolvimento.
Entre as propostas apresentadas estava a ampliação da rede de espaços culturais da Funarte, incluindo a criação de representações regionais em áreas ainda pouco atendidas pela instituição. O objetivo era aproximar a Fundação das diferentes realidades brasileiras, facilitando o diálogo com governos locais, universidades, instituições culturais e organizações da sociedade civil.
Também propusemos projetos que unissem patrimônio cultural, turismo e produção artística, permitindo que espetáculos, exposições, concertos e demais atividades chegassem a municípios onde o acesso às artes é mais limitado. Essa estratégia buscava valorizar tanto os artistas quanto os espaços históricos e culturais distribuídos pelo território nacional.
Outro aspecto importante era incentivar parcerias com universidades federais e outras instituições públicas, reunindo conhecimento técnico, pesquisa e ações culturais em benefício da população. A colaboração entre diferentes órgãos públicos amplia a capacidade de execução dos projetos e fortalece a continuidade das políticas culturais.
A descentralização também contribui para reduzir desigualdades no acesso à cultura. Quando oportunidades de formação, circulação artística e produção cultural chegam a novas regiões, ampliam-se as possibilidades para jovens talentos, grupos locais e profissionais que muitas vezes encontram dificuldades para desenvolver seu trabalho.
Sempre considerei que a missão da Funarte deve refletir a diversidade do Brasil. Isso significa reconhecer que o desenvolvimento cultural depende da participação de todas as regiões e da valorização das diferentes identidades que compõem o país.
Fortalecer a presença nacional da Fundação foi, portanto, uma diretriz permanente das propostas apresentadas durante minha gestão. A cultura brasileira cresce quando seus diferentes territórios podem produzir, compartilhar e preservar suas manifestações artísticas em igualdade de oportunidades.