Quando assumi a presidência da Funarte, defendi que a arte precisava ser compreendida não apenas por seu valor simbólico, mas também por sua relevância econômica e social. A cultura movimenta pessoas, gera trabalho, estimula o empreendedorismo e fortalece cadeias produtivas que alcançam milhares de profissionais em todo o país.
Ao longo da minha gestão, procurei destacar que a atividade artística está inserida em um amplo ecossistema. Nele atuam artistas, técnicos, produtores, professores, cenógrafos, figurinistas, iluminadores, sonoplastas, artesãos, designers, comunicadores, gestores culturais, fabricantes de instrumentos, galerias, editoras, empresas de tecnologia e inúmeros outros profissionais que tornam possível a produção e a circulação das manifestações culturais.
Essa visão amplia o papel da Funarte. A instituição não deve apenas apoiar espetáculos ou projetos isolados. Sua missão também envolve criar condições para que essa rede produtiva se fortaleça, promovendo oportunidades, qualificação, circulação artística e aproximação entre criadores, patrocinadores, instituições públicas e iniciativa privada.
Foi com esse entendimento que o Programa Funarte 45 Anos incorporou a economia criativa como um de seus eixos estratégicos. Entre as propostas apresentadas estavam a criação de um Sistema de Indicadores da Arte e da Economia Criativa, capaz de reunir informações que orientassem políticas públicas mais eficientes; programas de valorização do artista; iniciativas voltadas à formação profissional; além do incentivo ao mecenato e ao estabelecimento de novas parcerias.
Também defendi que diferentes linguagens artísticas precisavam ser contempladas de forma integrada. Música, teatro, dança, circo, artes visuais, literatura, performance e novas linguagens tecnológicas compartilham desafios semelhantes e movimentam cadeias econômicas que geram renda e desenvolvimento regional.
A descentralização das ações igualmente fazia parte dessa estratégia. Ao estimular atividades culturais em diferentes regiões do Brasil, amplia-se o acesso da população às artes e, simultaneamente, fortalecem-se economias locais, criando oportunidades para artistas, produtores e empreendedores culturais.
Compreender a cultura como fator de desenvolvimento não reduz seu valor artístico. Pelo contrário, reconhece que a produção cultural possui capacidade de transformar realidades, ampliar oportunidades de trabalho, estimular a inovação e fortalecer a identidade nacional.
Acredito que políticas públicas consistentes para a economia criativa devem unir planejamento, pesquisa, formação, incentivo e valorização dos profissionais da cultura. Esse foi um dos princípios que orientaram as propostas apresentadas durante minha passagem pela Funarte e continua sendo uma reflexão importante para o futuro das políticas culturais brasileiras.