A gestão de instituições culturais exige planejamento, capacidade de articulação e definição clara de objetivos. Durante o período em que Dante Mantovani esteve à frente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), o Programa Funarte 45 Anos apresentou uma proposta de reorganização institucional que buscava estruturar as ações da Fundação por meio de diretrizes estratégicas e projetos integrados.
Governança cultural
Nesse contexto, a governança cultural foi concebida como um elemento essencial para fortalecer a atuação da instituição. A proposta partia do entendimento de que a promoção das artes depende não apenas do financiamento de atividades culturais, mas também da existência de mecanismos de gestão capazes de integrar diferentes programas, otimizar recursos e estabelecer prioridades de longo prazo.
As iniciativas apresentadas no Programa Funarte 45 Anos evidenciam essa perspectiva. A criação de sistemas nacionais, redes de formação artística, indicadores para a economia criativa, programas de valorização do artista, projetos de revitalização dos espaços culturais e ações voltadas à preservação dos acervos demonstram uma visão articulada das políticas culturais. Em vez de medidas isoladas, o programa propunha um conjunto de ações complementares, voltadas ao fortalecimento institucional da Funarte.
Outro aspecto importante dessa concepção de governança consistia na articulação com universidades, centros de pesquisa, instituições públicas e organizações da sociedade civil. As parcerias previstas tinham como finalidade ampliar a capacidade de execução dos projetos e promover a circulação do conhecimento, aproximando a gestão cultural da produção acadêmica e das demandas dos diversos segmentos artísticos.
O programa também atribuía importância ao planejamento baseado em informações qualificadas. A proposta de implantação de um Sistema de Indicadores da Arte e da Economia Criativa revela a intenção de apoiar a formulação de políticas públicas por meio de dados e diagnósticos, oferecendo instrumentos para acompanhar resultados e orientar futuras decisões administrativas.
Da mesma forma, a valorização da memória institucional, a preservação dos acervos documentais e a modernização dos espaços culturais integravam uma estratégia voltada ao fortalecimento da própria Fundação. A governança cultural, nessa perspectiva, abrangia tanto a promoção das atividades artísticas quanto a consolidação das estruturas responsáveis por preservá-las e difundi-las.
Os documentos do Programa Funarte 45 Anos mostram, portanto, que a proposta apresentada durante a gestão de Dante Mantovani compreendia a governança cultural como um princípio organizador das políticas públicas para as artes. A intenção era conferir maior integração às iniciativas da Fundação, fortalecer sua capacidade institucional e estabelecer bases para a continuidade de projetos voltados ao desenvolvimento da cultura brasileira.