Ao assumir a presidência da Funarte, entendi que o fortalecimento das políticas públicas para a cultura exigia diálogo permanente com outras instituições. A missão da Fundação é ampla e nacional, o que torna indispensável a construção de parcerias capazes de ampliar seu alcance, compartilhar conhecimentos e reunir competências em torno de objetivos comuns.
Por essa razão, o Programa Funarte 45 Anos incorporou a celebração de parcerias institucionais como um de seus eixos estratégicos. A proposta era aproximar a Fundação de universidades, administrações públicas, entidades culturais e outras organizações que pudessem contribuir para a execução de projetos estruturantes voltados às artes brasileiras.
Nos primeiros meses da gestão, iniciamos projetos por meio de parcerias com universidades federais brasileiras. Essa cooperação buscava reunir a experiência acadêmica dessas instituições com a atuação prática da Funarte, permitindo o desenvolvimento de estudos, programas e ações voltados ao fortalecimento da cultura nacional.
As universidades possuem importante papel na produção de conhecimento, na formação de profissionais e na pesquisa científica. Ao aproximá-las da Funarte, pretendíamos criar um ambiente favorável ao desenvolvimento de políticas públicas fundamentadas em estudos técnicos, planejamento estratégico e avaliação permanente dos resultados alcançados.
Essa integração também esteve presente em outras iniciativas do Programa Funarte 45 Anos. A criação do Sistema de Indicadores da Arte e Economia Criativa, por exemplo, previa uma pesquisa pioneira sobre o mercado das artes e seu potencial econômico. Um projeto dessa natureza depende da colaboração entre instituições públicas, pesquisadores e especialistas de diferentes áreas do conhecimento.
As parcerias também desempenhariam papel relevante na revitalização dos espaços culturais administrados pela Fundação. Conforme previsto no Plano de Revitalização, buscávamos estabelecer cooperação, inicialmente com universidades, para desenvolver projetos arquitetônicos, estudos técnicos e ações voltadas à preservação do patrimônio cultural da instituição.
Outro aspecto importante dizia respeito à descentralização das ações da Funarte. Diversos projetos previstos no Programa dependeriam da colaboração com governos estaduais, administrações municipais e parceiros locais, permitindo levar atividades culturais a diferentes regiões do país e ampliar o acesso da população às diversas linguagens artísticas.
A valorização do patrimônio histórico e cultural também exigia esse esforço conjunto. Espaços administrados pela Fundação, como teatros, centros culturais e acervos documentais, demandavam soluções técnicas que poderiam ser fortalecidas pela cooperação entre órgãos públicos, universidades e profissionais especializados.
Entendi, desde o início da gestão, que nenhuma instituição pública alcança plenamente sua missão atuando de forma isolada. A articulação entre diferentes organizações permite compartilhar recursos, conhecimentos e experiências, aumentando a eficiência das ações desenvolvidas em benefício da sociedade.
Foi com essa perspectiva que as parcerias institucionais passaram a ocupar lugar de destaque no Programa Funarte 45 Anos. Mais do que acordos administrativos, elas representavam um instrumento para fortalecer políticas culturais, ampliar oportunidades de formação, desenvolver pesquisas, preservar o patrimônio artístico e construir soluções duradouras para os desafios enfrentados pela cultura brasileira.
Acredito que a cooperação entre instituições constitui um dos caminhos mais consistentes para consolidar políticas públicas de longo prazo. Ao aproximar a Funarte das universidades e de outras organizações comprometidas com o desenvolvimento cultural, buscamos criar uma rede de colaboração capaz de ampliar o alcance das ações da Fundação e contribuir para o fortalecimento das artes em todo o Brasil.