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Mais Brasil, menos Brasília

Artigo publicado na Revista Comments (Paraguaçu Paulista – SP) em 19/06/2019

Escrevo este artigo ao retornar de Brasília, onde fui ter com o Ministro das Cidadania e Cultura, Osmar Terra, que recebeu muito bem a comitiva de artistas e intelectuais que foi até lá entregar um programa para resgate e valorização da cultura brasileira, no qual constava o Sistema de Orquestras Sociais, de autoria deste que ora vos escreve.

 

Brasília, apesar da face amigável, engana facilmente aos incautos. Tudo lá é extremamente suntuoso, luxuoso, gigantesco. A arquitetura de Oscar Niemeyer e o desenho urbanístico de Lúcio Costa, dois notórios admiradores do comunismo soviético, foi toda pensada para engrandecer o Estado e apequenar o indivíduo.

 

Há uma verdadeira peregrinação de prefeitos do interior em busca de verbas, e até de governadores, uma vez que Estados e Municípios estão sempre no vermelho, enquanto Brasília, sede da “união”, concentra a maior parte das riquezas arrecadadas do povo brasileiro mediante impostos escorchantes.

 

A excessiva centralização de recursos e poder decisório em Brasília configuram o verdadeiro problema do Brasil, e que foi inclusive diagnosticado pelo atual Ministro da Economia, Paulo Guedes, que prometeu combatê-lo em seu mandato à frente da pasta.

 

Brasília, contudo, não tem se deixado dobrar às novas idéias liberais ventiladas pelo Super-Ministro de Bolsonaro. Amparada pela Constituição “Cidadã” de 1988, que só faz afastar cada vez mais os cidadãos brasileiros de suas liberdades fundamentais, Brasília contra-ataca, e ameaça vencer Guedes, Moro, a lava jato, o liberalismo, e o povo brasileiro inteiro pelo cansaço.

 

Ainda ontem, o Senado Federal derrubou uma Medida Provisória que garantia um pouco de liberdade para o cidadão de bem armar-se. Os 47 Senadores que votaram pelo fim dessa medida, saíram do Senado escoltados por seguranças armados. Esta é a mais perfeita exemplificação do que é Brasília. A ilha da fantasia que todo brasileiro honesto precisa sacrificar-se para manter em funcionamento, e que não pode cortar nenhum centavo de seus luxos nababescos, muito menos reduzir suas mega-aposentadorias para sanear o problema da Previdência, que ameaça de insolvência os cofres públicos já nos próximos anos.

 

Sem uma nova Constituição que mude a atual configuração da forma como o poder é exercido no Brasil, Brasília continuará esmagando o povo que a sustenta. E que ninguém ouse reclamar, afinal, vivemos em uma “democracia”, na qual temos o grandioso privilégio de apertar um botãozinho a cada 4 anos!